Contra a vontade aparente do Sr. engenheiro, o Sr. da saúde não resistiu às manifestações populares e abandonou o barco… AINDA BEM!
Mas nós não nos podemos esquecer desse Sr., agora ex-Sr. da saúde. Agora que concluiu o seu trabalho, ainda que prematuramente, seria talvez a hora de se fazer a avaliação final do seu trabalho, não esquecendo os seguintes parâmetros:
- Mortes associadas à falta de rapidez e eficácia dos serviços de emergência médica;
- Mortes nos bancos das urgências associadas ao tempo de espera para serem medicamentem assistidas;
- Mortes resultantes da falta de qualidade dos cuidados médicos prestados e de negligências evidentes;
- Partos realizados em ambulâncias a caminho de uma maternidade, colocando em risco de vida a mãe e o bebé;
- Não esquecer de investigar o grau de relação entre o fecho de hospitais, urgências e maternidades com a abertura imediata de novos serviços privados em muitas destas vilas e cidades.
Quanto à Sr.ª da educação há muito que se tornou intolerável, nomeadamente pela arrogância e cinismo nunca vistos, mas também pela sua insensibilidade ao que se passa verdadeiramente nas nossas escolas. Só lhe dava um castigo, esta Sr.ª devia ser fechada numa sala com uma turma de 20 jovens daqueles que de uma forma gratuita insultam, vexam e ameaçam fisicamente o cidadão que está do outro lado da sala… alguém que um dia decidiu ser professor, uma profissão que em tempos foi respeitada socialmente!
Vou relatar alguns episódios que se passam diariamente numa escola portuguesa. Esta escola não é frequentada por alunos provenientes de bairros de lata, bairros sociais, por minorias éticas… nada disso, são apenas jovens de um meio social com alguma incidência rural e também industrial. Esta localidade tem estatuto de vila e situa-se a escassos minutos de uma cidade de média dimensão. Não, não é Lisboa nem Porto!!
Diga-se que estes casos não se passaram directamente comigo são relatos e desabafos de alguns professores e professoras, a maioria teve que viver mais de 50 anos e pelo menos 30 como professor para viver situações como as que descrevo a seguir:
Alunos que se levantam do seu lugar e abandonam a sala de aula com o seguinte pedido para sair: “estou farto desta merda, vou-me embora!”
Alunos que baixam as calças e mostram o rabo ao professor.
Alunos que não só se recusam liminarmente a seguir as regras de comportamento, mas que quando confrontados por algum(a) professor(a) “crescem” para eles, ou melhor avançam para o dito(a) professor(a), param a 10 ou 15 cm de distância e dizem-lhe na cara “quem é você para me obrigar a (qualquer coisa)”
Alunos reincidentes em violência contra professoras e funcionárias que fazem questão de ir lembrando aos outros professores e funcionários que “já não era a primeira vez que tinha de bater num professor”, ou então outros que lembram os professores que “tenho 15 anos e nunca bati num professor, mas não deve faltar muito”.
Turmas inteiras que entram nas salas de aula como manadas, de tal forma que as mesas e cadeiras são arrastadas e amontoadas a um canto.
Alunos que após o período de almoço voltam à escola para curar as suas bebedeiras, chegando mesmo a vomitarem-se na sala de aula e nos conselhos executivos; outros vão curá-las para casa acompanhados pelos pais, e outros vão para o hospital levados pelo INEM… com intoxicações de álcool e drogas!
Digamos que nalgumas turmas a média de participações disciplinares semanais ronda a dezena. Sensivelmente a meio do lectivo, há alunos com dezenas de participações disciplinares acumuladas, alunos com semanas de suspensão cumpridas, mas tudo continua na mesma!
A intervenção dos pais destes alunos resume-se a um “ficava muito grato à Sr.ª professora se conseguisse tirá-lo (entenda-se o filho!!!) lá de casa, mais os gandulos que lá mete!”
Finalmente há os Sr(s). da economia e das obras. O primeiro destacou-se pela coragem de em afrontar os trabalhadores chineses… quanto aos portugueses… já estamos fartos de sentir na pele as consequências de sermos mão-de-obra barata!
O Sr. das obras… bem, este devia ser proibido de proferir declarações públicas depois de almoços bem regados… pelo menos passava a dizer disparates apenas no seu estado sóbrio!
Mas pior que esta cambada de incapazes, arrogantes, insensatos e insensíveis… só mesmo um engenheiro que ainda é mais teimoso e incapaz de reconhecer os seus erros!
Não me venham com conversas de que estas medidas resultam dos erros e das más politicas de governos anteriores… não me recordo de nenhum político a cumprir pena de prisão por gestão danosa ou por ter tomado medidas que se vieram a revelar ruinosas para as contas públicas.
Cumprimentos cordiais.